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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fanfic: Brincadeira dos Deuses #3

Fanfic livremente baseada no universo de Forgotten Realms, portanto não deverá seguir fielmente alguns detalhes.

Sua Despensa, Minha Despensa. E a empregada também!

Waterdeep é uma cidade grande e subdividida em áreas, umas nobres e outras nem tanto. E neste local está situado o maior templo de Sune, o que explicava a escolha de Tara em vir para a cidade. E também havia a residência de seus tios, uma opção para ela caso houvesse a necessidade de estender sua estadia.

A paladina se dirigiu ao templo tão logo chegou à cidade, antes mesmo de ir visitar seus tios. O mago foi tentar uma audiência com lorde Kelben e a barda foi até uma taverna local para conseguir alguma informação que lhe interessasse. Mas Krauser não tinha um destino certo, afinal não era seu objetivo vir a Waterdeep.

O mestiço caminhava pela cidade até esbarrar com um dos marinheiros da embarcação que o tinha trazido até o local. Vendo que o bárbaro estava sem rumo, o marujo o levou para o templo de Sharess e disse que ele iria relaxar lá. Krauser achou a ideia interessante e o acompanhou. E não se arrependeu do convite.

Tara quando saiu do templo, com sua devida penitência já definida, foi abordada por um mensageiro do conselho local e este lhe trazia uma mensagem em que os lordes locais a convocavam e também seu grupo para comparecer no dia seguinte para uma reunião. A jovem ouviu com atenção e confirmou a presença dela e dos outros no horário determinado.

Assim que o mensageiro se afastou, a paladina pensou em como avisar aos outros. Ela tinha certeza de que a barda e o mago estariam na hospedaria próxima à casa de seus tios, pois era a melhor do local. Mas e Krauser? Tara não tinha a menor ideia de onde ele havia se metido.

Enquanto caminhava em direção à casa de seus tios, a jovem esbarrou com um dos marinheiros que faziam parte da tripulação do navio que a trouxe. Ele vinha de onde estava situado o templo de Sharess. Curiosa, Tara perguntou se ele havia visto Krauser e sem tibutear, o rapaz respondeu que ele estava no templo “relaxando”. A paladina sentiu as bochechas corarem, mas caminhou assim mesmo até lá.

Ao entrar no templo, Tara foi recebida por uma sacerdotisa bem sorridente e solicita. Quando a paladina perguntou pra a outra jovem se Krauser estava por ali, ouviu um suspiro que confirmou o que queria saber. Ela pediu para que avisasse a ele que estava esperando na casa dos tios e que assim que estivesse livre passasse por lá.

Krauser estava se sentindo nas nuvens com todo o tratamento recebido pelas sacerdotisas. Eram mimos e mais mimos, massagens e outras coisas que faziam o meio-dragão se deliciar e não querer sair dali. As sacerdotisas estavam encantadas com a virilidade do rapaz e ele se gabava por isso.

Algumas horas se passaram até que uma sacerdotisa veio dar o recado de Tara para Krauser. Ele resmungou um pouco, perguntou para alguma jovem do templo se sabia como chegar ao local indicado no recado e foi. Ao chegar ao casarão, ao invés de tocar a sineta que estava no portão, ele prefere gritar o nome da paladina o mais alto possível.

De dentro do casarão, o nome da Tara era ouvido por todos. Alguns criados correram para o portão, incluindo a jovem que havia reconhecido a voz do bárbaro. Quando chegou ao portão, a paladina abriu o portão e deparou-se com Krauser ali parado. Os criados se assustaram e recuaram com medo, mas ela o convidou para entrar e o encaminhou para os jardins internos. No local havia uma mesa e cadeiras ao redor. O chá da tarde havia sido servido e os tios da Tara estavam lá e os mesmos olhavam incrédulos para a sobrinha que vinha acompanhada de alguém que para eles mais parecia um monstro.

Para Krauser toda aquela pompa era algo completamente novo, não pertencia ao seu mundo. Os criados se afastavam quando ele passava e ele seguia a Tara sem fazer pergunta alguma. Ao chegar ao jardim, o rapaz logo avistou a mesa farta e se aproximou rapidamente, pegando sem cuidado algum as frutas que estavam na mesa.

Os tios de Tara estavam assustados e a jovem olhava incrédula a falta de educação do seu convidado. Além de comer rapidamente, o bárbaro não usava talheres e após alguns minutos comendo emitiu um barulho estrondoso, um arroto alto que fez a paladina virar o rosto.

- Quero mais! – o rapaz pediu.

Tara ordenou que os criados trouxessem mais comida e enquanto espera se senta na cadeira ao lado de Krauser na tentativa de conversar com ele. Em vão, pois logo chegou a comida e a mesma era servida por uma criada mais atrevida que trocava olhares nada furtivos com o rapaz, o mesmo retribuía com apertos nada discretos da empregada causando olhares de reprovação da paladina. Foi a gota d’água para que os donos da casa chamassem a sobrinha para um canto para conversarem.

- Ele não vai ficar aqui ou vai? – questionou a tia.

- Creio que sim tia. – Tara respondeu.

- Ele vai acabar com nossa despensa! – alertou o tio.

- É... – a sobrinha olha para o convidado que ainda devorava a terceira leva de alimentos trazidos para ele.

Os tios de Tara se retiram para seus aposentos e a jovem envia um mensageiro para a hospedaria próxima da mansão para dar um recado para o mago e para a barda. Ao retornar para perto de Krauser viu que ele havia terminado com tudo que haviam lhe servido. Ela pediu para que os criados preparassem um quarto para que o mestiço passasse a noite e assim que o pedido foi atendido, Tara encaminhou Krauser ao local. Mas o rapaz recusou e convidou a criada com quem trocara olhares anteriormente para acompanhá-lo. A paladina respirou fundo e não interferiu, apenas retirou-se para seus aposentos.

Talvez o maior erro de Tara fora ter deixado Krauser ir para o quarto com a criada. Ninguém conseguiu dormir direito durante a noite devido aos gemidos e urros que ecoaram pela mansão. A paladina rolava em sua cama em orações a sua deusa procurando uma maneira de cair no sono, mas com todo o “barulho” causado pelo casal parecia impossível.

Na manhã seguinte, os criados realizavam os serviços domésticos bocejando, exceto a moça que ficou com o bárbaro: ela nem havia aparecido para trabalhar. Tara estava com um péssimo humor e com vontade de apertar o pescoço do meio-dragão. Mas teve que controlar a vontade tão logo o próprio apareceu sorrindo para o café da manhã.

- Obrigada pela péssima noite. – a paladina falou mal humorada.

- Ah, vocês ouviram? – Krauser perguntou inocentemente enquanto colocava um pedaço de pão na boca.

- Sim, ouvimos muito bem. – e teve que se controlar novamente quando ele exibiu um sorriso pra ela. – Assim que terminar seu café, iremos conversar com o conselho dos lordes locais. Fomos convocados.

- Eles não me interessam. Não irei.

- Ah, vai sim. É uma desfeita recusar a convocação deles.

- Desfeita? O que é desfeita?

Tara tentou explicar o que significava desfeita para ele, mas desistiu porque nem ela mesma conseguia entender bem o significado. Mesmo sem explicação adequada, os dois seguiram até o local da convocação e lá encontraram o mago e a barda.

A reunião se resumiu a explicação de uma missão de resgate de uma cidade nas mãos de pessoas maléficas. O grupo concordou em ajudar, principalmente porque Tara já havia ajudado na administração do local e conhecia bem a população.

Antes mesmo de terminar a reunião, o alarme de Waterdeep soou. O grupo saiu correndo e se deparou com a seguinte cena: pessoas correndo desesperadas e um dragão branco destruindo as casas. Enquanto Tara orientava as pessoas para se afastarem seguramente, Krauser e os outros foram combater o ataque dracônico a cidade.

Assim que as pessoas estavam em segurança, Tara se juntou ao grupo para tentar conter o dragão. Mas a fera estava furiosa e atacava o grupo sem piedade. O mago foi o primeiro a cair morto, seguido de Tara e Krauser, este lutou bravamente. Restando apenas a barda, o dragão muito ferido parecia que ia triunfar, mas ela não foi medrosa e lançou uma bola de fogo no focinho dele. E este foi o fim dele.

A população de Waterdeep saudou bravamente os heróis. Tara e Krauser receberam todos os cuidados na igreja de Sune. A barda também teve os ferimentos tratados lá, mas o mago os sacerdotes não conseguiram trazer de volta a vida porque o sumo sacerdote não estava presente.

Sune, de seu plano astral, observou todos os fatos com atenção. Estava contente com tudo o que estava acontecendo. Seu plano caminhava muito bem e Bahamut nem imaginava o quanto a deusa do amor estava vencendo a aposta. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Fanfic: Brincadeira dos Deuses #2

Fanfic livremente baseada no universo de Forgotten Realms, portanto não deverá seguir fielmente alguns detalhes.

Penitência para quê? 

O destino quando quer sabe brincar com as pessoas ao seu prazer. E ele parecia se divertir ao ver como Tara e Krauser se relacionavam.

Tara e Krauser se conheceram ao acaso quando a jovem acompanhava uma embarcação até a cidade de Waterdeep. Ela não ia sozinha, estava acompanhada de um jovem mago e uma encantadora barda. Todos tinham a missão de fazer com que o navio carregado com a mercadoria de um comerciante de Lua Prateada chegasse intacto e a multa a ser paga caso algo acontecesse ao carregamento seria o casamento da nobre paladina com o filho do comerciante. E isso não era algo que agradasse a moça. Mas o faria se fosse necessário, pois havia a palavra de seu pai e o nome de sua família em jogo.

No outro lado da história, Krauser enfrentava alguns desafios não tão fáceis assim, mesmo para alguém com a força que ele possuía. Ele estava à procura dos orcs que atacaram sua tribo, dizimando-a. Sua mãe estava morta e seu coração transbordava ódio por essas criaturas. Não só por essas, como também pelos Zentarins, cujo líder desse grupo havia derrotado seu pai, um nobre dragão prateado. O rapaz partiu em uma caçada tanto aos Zentarins e seu líder quanto aos orcs que destruíram sua tribo.

Muitos de seus inimigos caíram pela força de suas mãos combinadas com manejo de seu machado. E cada vez aparecia mais e mais orcs no seu encalço. Já havia derrotado próximo de 40 orcs quando ele percebeu mais um grupo numeroso se aproximando de uma pequena vila. Sua atitude foi chamar atenção deles para si e assim correr o mais longe possível para que a vila ficasse em segurança. E assim ele fez. Krauser correu o mais rápido que podia até alcançar a margem de um rio próximo. Olhou para trás e viu que os orcs vinham em seu rastro. Olhou para frente e viu um barco cruzando o rio. O bárbaro não pensou duas vezes, tomou um impulso e saltou em direção a embarcação.

A viagem prosseguia tranquila, sem muitas atribulações. Apenas alguns rufiões ousaram atacar o navio sem êxito, pois Tara e seus companheiros conseguiram expulsá-los antes de conseguirem encostar suas mãos nas mercadorias. A embarcação havia se aproximado um pouco mais da margem ao ouvir um apelo de uma família que pedia ajuda. E foi nesse momento que um integrante inesperado se junta a tripulação.

- Ei, quem é você? – Tara perguntou.

Não houve tempo para resposta e nem para protestos contra o intruso, pois os orcs alcançaram a margem e atacavam a distância. Alguns mais ousados entraram no rio para atacar o navio de perto. O capitão da embarcação escondeu a família enquanto os outros combatiam os inimigos. Houve perdas na tripulação, mas conseguiram salvar o navio e seu carregamento, além da família que havia embarcado antes do ataque.

Passado o susto, a tripulação e o intruso se entreolharam querendo uma explicação. Krauser passava o olhar por todos os marinheiros sem interesse, pareciam frágeis demais para ele. Porém se deteve um pouco mais ao passar os olhos sobre um jovem humano trajando mantos arcanos e em uma bela mestiça élfica que possuía trajes espalhafatosos. Ao pousar o olhar na outra jovem humana, sua atenção ficou aguçada. Prendeu-se a observar a lustrosa armadura que ostentava, ao símbolo de Sune que trazia consigo e no porte imponente e belo que ela possuía. Os longos cabelos castanhos caiam sobre seu ombro e seu olhar intrigado se mantinha nele. A jovem conseguia combinar força e beleza de uma maneira que não se podia imaginar como.

Tara percebendo que o olhar do outro estava em si, também passou a observá-lo com tamanha curiosidade. Fisicamente parecia um monstro. Pele azulada, cabelos brancos, olhos reptilianos e uma protuberância em sua cabeça que parecia que nasceriam chifres. Ela procurava por garras no lugar de mãos, mas apenas encontrou mãos fortes e um corpo extremamente musculoso. Ele era alto, muito alto, até para ela que já se considerava alta perto dos outros. Não usava armadura alguma, apenas uma tanga cobria suas partes íntimas, fazendo o rosto da paladina corar. “Por Sune, de onde saiu essa criatura?” a jovem pensou.

- Quem é você? – Tara perguntou quebrando o silêncio. – Explique o porquê de invadir o navio.

- O que fazem por aqui? - Krauser respondeu com uma pergunta. A voz rouca soou imponente pelo convés – Região perigosa, cheia de orcs.

- Você não me respondeu! E já percebemos que tem orcs por aqui e por sua culpa eles nos atacaram.

- Eu atrai eles para não atacar pessoas. Por isso me seguiram.

Tara olhou surpresa para Krauser, tentando entender como ele tivera uma atitude nobre se mais parecia um brutamontes monstruoso. Ela sacudiu a cabeça para dispersar esses pensamentos não condizentes com sua situação de paladina. Afinal quem era ela para fica julgando uma atitude bondosa?

- Ei, você não me disse para onde vão. – o bárbaro chamou a atenção da jovem.

- Waterdeep. – ela respondeu. – E quem é você?

- Krauser. E você?

- Tara. Tara Stormbringer, paladina de Sune.

Krauser ficou olhando sem entender muita coisa. Sabia que paladinos lutavam pelos deuses, então provavelmente Sune deveria ser uma deusa ou um deus. Tara achou divertido o olhar confuso do outro e explicou que Sune era a deusa do amor e da beleza. Eles conversam mais um pouco enquanto o navio prosseguia pelo rio, faltava cada vez menos para chegar em Waterdeep.  A jovem já sabia o motivo de ele ter essa aparência monstruosa: ele era fruto de um relacionamento entre um dragão prateado e uma humana. Era um mestiço, um meio-dragão. O mago e a barda, que estavam próximos e ouviam a conversa,  olhavam com certo receio para o bárbaro, talvez por medo dele.

- Por que você vai ficar presa? – indagou ao saber o motivo da paladina ir para Waterdeep.

- Não vou ficar presa, farei uma penitência.

- Isso, vai ficar presa. Por que?

Tara respirou fundo antes de respondê-lo, antes de tentar explicar o que era penitência. Percebeu que teria que ter paciência com ele.

- Penitência é uma tarefa que a igreja dá para quem fez algo de errado para conseguir o perdão.

- Você fez algo de errado? O que foi?

- Não consegui proteger meus companheiros e eles morreram. – Tara baixou o olhar.

- Eles deviam ser fracos. Só os fracos morrem.

A paladina sentiu a raiva subir e olhou furiosa para ele. Não achava correto ele julgar os amigos dela desse jeito. Mas ao invés de rebater essa afirmação e gerar novos aborrecimentos, ela preferiu se afastar dele e respirar um pouco para se acalmar. Discutir com quem não tinha discernimento de muitas coisas só a traria problemas.

E assim o navio completa seu percurso e chegam a Waterdeep. A carga havia chegado intacta, para a tristeza do comerciante e alegria de Tara. Ela não precisaria casar-se com quem ela não queria. Na cidade cada um seguiu seu rumo e seus afazeres, conforme os planos que haviam feito.

Em outro plano Bahamut observa a tudo com um sorriso no rosto. Já havia obtido uma vantagem perante Sune. Mas a deusa também observava a tudo sorrindo. Seu plano havia começado do jeito que ela desejava.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Fanfic: Brincadeira dos Deuses #1

Fanfic livremente baseada no universo de Forgotten Realms, portanto não deverá seguir fielmente alguns detalhes.
A Aposta
Uma vez em algum plano distante do que chamamos de plano material (Terra), dois deuses resolveram fazer uma aposta. Uma singela aposta. Eram eles: Sune e Bahamut.
Sune, conhecida como a deusa do amor pelos humanos, era bondosa e um pouco caprichosa. Sempre foi considerada a mais bela entre as deusas do panteão de Faerün e seus devotos acreditavam no amor verdadeiro e na beleza como forma de ensinamento.
Bahamut era uma divindade do panteão dos dragões, representando a parcela bondosa dessas criaturas. Um imponente e poderoso dragão de platina.
De todos os seus devotos, dois deles se destacaram: uma bela jovem e um bruto rapaz.
Ela, filha mais velha de nobres de Lua Prateada. Guerreira sagrada de Sune e devota do amor verdadeiro, para desespero de seus pais, pois a jovem recusava todos os casamentos de conveniência que lhe arranjavam. Seu nome: Tara, lady Tara Stormbringer.
Ele, melhor guerreiro de sua tribo. Mestiço, filho do amor de uma mãe humana e um pai dragão prateado, era devoto de Bahamut. Chamava-se Krauser, Krauser Folk.
O destino quis que os dois se encontrassem e seguissem juntos pela jornada da vida. Dois mundos completamente diferentes, gerando brigas constantes entre eles.
Aproveitando tal situação, Bahamut propôs a Sune uma aposta: quem conseguiria enlouquecer primeiro o escolhido do outro? A divertida deusa concordou com a brincadeira. Mas seus propósitos iam muito além de apenas enlouquecer. E o deus dos dragões nem imaginaria a confusão que iria acontecer.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Texto: Confissões de uma galliard II

Conto baseado no RPG Lobisomem: Apocalipse


Querido diário,

Meses se passaram e o que eu temia se tornou evidente. Não tenho mais como esconder a gestação. A única coisa que escondo é a maneira como foi concebida.

Ando pelos cantos tentando ao máximo evitar olhares alheios. Mas nem sempre consigo. O philodox de minha matilha passou a me observar constantemente. Ele nada fala, mas eu creio que ele desconfia de algo. Não só ele, acho que os outros também desconfiam. Quem não desconfiaria de algo ao ver uma grávida infeliz com o bebê que espera?

Até esse exato instante o pai do impuro que carrego no ventre não sabe o que se passa comigo. Não consegui a coragem necessária para compartilhar o fardo com ele. Ainda mais agora que nosso relacionamento acabou. Ele acha que o traí. Acha que o bebê é de outro. Ah se ele soubesse que essa gravidez é fruto do pecado que ambos cometeram... O pior de tudo não é ocultar a verdade dele e sim não saber qual será a reação quando souber. Me rejeitará? Ou aceitará? A segunda opção aliviaria meu coração, pois eu ainda o amo. E sinto que, apesar de ele ter terminado comigo, seu coração ainda me pertence.

Eu poderia ter ido a um theurge pedir uma “solução” para o caso logo no começo. Não consegui. Parece que o instinto materno falou mais alto do que meu medo. Serei recompensada no final?

Final... Será que terei um bom final? Ou morrerei tentando? O medo de toda mãe em não conhecer o seu bebê é o que sinto. Morrerei no parto? Ou sobreviverei e carregarei a marca de ser mãe de um impuro? São tantas coisas passando em minha mente que não sei ao certo se todas tem fundamento. Torço para que o fim (ou o início) não seja trágico, assim como o conto que contei no dia do meu ritual de passagem, ao qual ganhei meu nome garou: Tragédia Sangrenta.

Falta tão pouco tempo... E meu pequeno impuro cresce cada vez mais dentro de mim.

Abnara Campebell

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Texto: Confissões de uma galliard

Conto baseado no RPG Lobisomem: O Apocalipse.


Querido diário,

Quem diria que eu voltaria a escrever em você, meu antigo confidente. Logo eu que aprendi a declamar as glórias e os feitos dos meus irmãos garous nas assembleias. Eu que aprendi a usar a minha voz para embalar os mais refinados ouvidos com meus contos ou com a melodia da minha flauta. Agora estou aqui escondendo um segredo entre essas linhas, um segredo que em breve será visível a todos.

Poesias, canções, amor. Um galliard aprecia tudo isso e muito mais e talvez seja o augúrio que mais se emotiva e encare os sentimentos com mais fervorosidade. Sei disso porque também nasci sobre a lua gibosa e também fui arrebatada por sentimentos fortes. Não agi por mim, deixei o coração me guiar e por fim cometi algo errado. Estou tentando esconder o meu erro, só não sei até quando...

Amor. Foi esse sentimento que me arrebatou. Arrebatou um coração jovem e inocente: o meu coração. E eu fui de corpo e alma, me entreguei, amei e agora estou desabafando aqui. Espero que guarde esse segredo aqui nessas linhas.

Assim que passei pelo ritual passagem, fui integrada a um matilha composta por homens. Eu, uma Fúria Negra, convivendo ao lado de um Fianna, de um Senhor das Sombras, de um Cria de Fenris e de um Andarilho do Asfalto. Confesso que no meio de tantos homens, achei que ia pirar. Mas o destino me pregou uma peça e ao invés de irritar-me com a presença deles, acabei me apaixonando por um.

Não, eu não lutei contra essa paixão e nem ele também lutou. Mesmo sabendo que era contra a litania, nos entregamos. De corpo, alma e coração. Foram meses felizes, tendo seu cheiro e seu sabor sempre presentes. Meus companheiros me alertaram, mas ignorei. Queria viver cada momento ao lado dele, sem me preocupar com nada. Esse foi o meu erro. 
 
Com lágrimas nos olhos, eu olho para meu próprio corpo que muda a cada instante. O que ainda consigo esconder, em breve será impossível. O que carrego comigo, o que seria uma benção para muitos, é um pecado para meus irmãos. Não sei o que fazer. Socorro! 
 
Por isso escolhi escrever aqui, desabafar por entre palavras o que estou sentindo. Tenho que tomar uma providência rápido, mas minha cabeça está girando. Preciso de ajuda, mas para quem devo contar? Para ele? Seria o certo... 
 
Enquanto não decido o que fazer, deixo minhas lágrimas correrem e tento abafar meus soluços, escondendo para mim o que carrego em meu ventre: um pequeno impuro.

Abnara Campbell


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Textos soltos II

- Mas você não vê o que estamos fazendo é errado? - ela caminhou apressadamente fazendo o cordão em seu pescoço balançar de um lado para o outro, exibindo o pingente em forma de chave.

- Até quando vamos ter que esconder? - ele a questionou.

Ela parou e olhou nos olhos dele. Suspirou. Ele parecia querer saber a resposta. Mas ela não sabia o que responder. "E quem disse que eu aguento esconder?", ela pensou.

Caminhou em direção ao jovem. Ele continuava olhando para ela. O caminhar dela o inebriava, principalmente quando ela vestia algo mais feminino como vestido ao invés daquela armadura pesada. Ela estava vestindo um que deixava os ombros nus. Definitivamente ele não conseguia vê-la como irmã. Nunca a viu dessa maneira.

Ela parou em frente a ele. Ele a olhou nos olhos e recebeu um sorriso maroto da jovem. Aproximou seu rosto ao dele, colando os lábios em sua orelha direita. Com a língua, ela brincava com o lóbulo do outro. As mãos do jovem desciam pela cintura marcada pelo vestido acinturado. Encontrou as fitas que o amarravam na parte de trás e lentamente puxava para desatar o laço e afrouxar-lhe a roupa.

Mais afastado um outro jovem observava o que estava acontecendo. Ele olhava estarrecido e continha-se para não intervir na cena.

- Mas eles são loucos! - falou o jovem que estava escondido antes de deixar o local. Sua voz não fora percebida pelo casal de amantes devido a distância em que estava.

Textos soltos I

- E irmãos podem se amar? - ela o questionava.

Ele há poucos minutos havia se declarado para ela, mas ela não queria acreditar. Eram irmãos, melhor dizendo meio irmãos, e isso a deixava em pânico com o que acabara de ouvir.

- Sim, eu te amo. Desde o momento que a vi. - ele repetiu.

Ela ficou parada, estática, a sua frente. Apenas respirava, mesmo que por dentro ela implorasse para o corpo agir. Ele se aproximou, ficando apenas alguns centímetros dela. Seus lábios tremiam ao sentir o hálito quente dele. Queria sim beijá-lo, mas sua mente confusa dizia que era proibido.

Mas ele estava decidido, sabia muito bem o que iria fazer. Enlaçou os braços em sua cintura e a puxou para perto de si. Ela arregalou os olhos quando os seus lábios foram tomados pelos dele num beijo quente. Ela o empurrou, fazendo-o largar sua cintura e correu. Com lágrimas nos olhos.